terça-feira, 1 de setembro de 2020

Paulo Freire: beneficiárias nos Inhamuns se fortalecem por meio da Caderneta Agroecológica

 


Na semana que acontece o Encontro Estadual (02/09) e antecede o Encontro Nacional das Cadernetas Agroecológicas (09/09), o Projeto Paulo Freire apresenta mulheres do Semiárido que estão utilizando a caderneta agroecológica, não somente como instrumento de sistematização de dados, mas também de visibilidade da força do trabalho, resistência e promoção de igualdade de gênero de mulheres rurais do Ceará.

Nossa primeira personagem é a dona Antônia de Sousa Castro, carinhosamente conhecida como ‘Dona Mosa’. 71 anos, ela reside na comunidade Barreiros II, município de Tauá-CE, com mais três pessoas da sua família. Ela é integrante do Conselho Fiscal da Associação dos Pequenos Produtores Manuel Chagas da Vera Cruz Barreiros II e faz parte do grupo de mulheres “Maria Cândida da Conceição”.

Dona Mosa é uma das 144 mulheres que estão fazendo apropriação e uso da Caderneta Agroecológica no Projeto Paulo Freire. No seu quintal produtivo, onde cultiva hortaliças para o consumo da família e comercialização do excedente, ela se utiliza da caderneta para visibilizar a sua produção, alimentação saudável e reconhecimento das mulheres do campo.

“Com essa caderneta a gente passa a ter mais noção, valor do que a gente trabalha na agricultura. Antes, tudo que você fazia não tinha muita importância. E hoje, quando chega no final do mês, quando você faz uma avaliação, sabe o que consumiu, doou ou vendeu. Então, isso é muito importante pra gente que é agricultora, que mora no sertão, onde a mulher não tinha valor, muito desconhecida pela sociedade. E hoje a gente tem um bom reconhecimento”, avalia dona Mosa.

Além da Assessoria Técnica Contínua, a comunidade Barreiros é beneficiada com a atividade produtiva de Apicultura (5 famílias), Avicultura (7 famílias) e ovinocultura (11 famílias), Plano de Investimento que beneficia 23 famílias nesta comunidade, com um investimento total de R$ 129.615,45. As comunidades são assessoradas pela Cáritas Diocesana de Crateús.


Raimunda Oliveira de Melo, conhecida como Simone, é agricultura/apicultora e beneficiária do Projeto Paulo Freire. Mora com o marido Carlos Elias, a filha Clara Oliveira e o filho David Oliveira no Quilombo de Jardim em Quiterianópolis-CE. Simone é a atual presidente da Associação Rural dos Remanescentes de Quilombo de Jardim e articuladora do grupo de mulheres do Quilombo, representando a comunidade na Comissão Estadual dos Quilombolas Rurais do Ceará (Cerquice).

Assim como dona Mosa, Simone está fazendo uso e apropriação da Caderneta Agroecológica. Ela tem a caderneta como companhia diariamente, onde registra a diversificação, produção e o empoderamento das agricultoras do Quilombo Jardim.

“Antes eu achava que só ajudava meu esposo. Mas hoje, eu sei que não. Hoje, eu digo: ‘Eu sou agricultora!’. E a Caderneta me deu mais um motivo pra ‘mim’ lutar, guerrear. Se alguém duvidar, eu ‘tô’ ali com ela. Ela é minha companhia de cozinha, não deixo ninguém rabiscar. É minha prova que sou agricultora”, ressalta Simone de forma orgulhosa.

O Quilombo de Jardim é atendido com ações de Assessoria Técnica Contínua e de fortalecimento das atividades produtivas de avicultura (34 famílias) e apicultura (6 famílias), com investimentos no valor total de R$ 237.627,00, beneficiando 40 famílias. A comunidade quilombola é assessorada pelo Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar).
Caderneta agroecológica

A caderneta agroecológica é um instrumento de registro diário da produção das mulheres, por elas próprias, onde anotam o que produzem, a quantidade, a medida de referência e os valores do produto. No Projeto Paulo Freire, as cadernetas agroecológicas estão presentes em 76 localidades de 20 municípios e, em média, gerou um rendimento mensal de R$ 373 por beneficiária.

Essa ação faz parte do “Projeto de Formação e Disseminação do Uso Consciente das Cadernetas Agroecológicas nos Projetos apoiados pelo FIDA no Brasil”. Uma ação promovida em parceria com o Programa Semear Internacional, CTA/ZM e o GT Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

A implementação e acompanhamento das Cadernetas Agroecológicas Projeto Paulo Freire é desenvolvido em parceria com sete organizações da sociedade civil: Cáritas Diocesana de Crateús, Centro de Estudos do Trabalho e Assessoria do Trabalhador (Cetra), Centro de Estudos e Assistência às Lutas do Trabalhador Rural (Cealtru), Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar), Instituto Antônio Conselheiro (IAC), Instituto Flor do Piqui e ONG Cactus.

Fonte:SDA

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