Servidor do IFCE de Tauá recebe reconhecimento da Nasa após descobrir falha

 

Um servidor do Instituto Federal do Ceará (IFCE) hackeou um dos sistemas da Nasa, agência do governo dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial. Lendo assim, a informação pode até parecer negativa, mas o fato é que, por descobrir uma falha de segurança cibernética, George Luiz de Freitas Souza, chefe do Departamento de Administração do Campus Tauá e especialista em cibersegurança, ganhou reconhecimento internacional e entrou no hall da fama da instituição norte-americana.

Com especialidade em Gestão Pública, Guerra Cibernética, Forense, Cibersegurança e Tecnologia da Informação, George Luiz, que, além de assistente em administração do IFCE, é advogado e pedagogo, receberá, em breve, uma carta da Nasa reconhecendo o trabalho realizado. De acordo com recente levantamento, ele seria o primeiro cearense a conquistar reconhecimento nesse formato e receber carta de validação da própria Nasa.

Não é de hoje que George investe e eleva conhecimento na área. Há alguns anos, durante a pandemia, ele participou de um curso na plataforma “Hackers do Bem” - iniciativa gratuita do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) e Softex, focada na formação de profissionais em cibersegurança no Brasil.

George conta que divulga o referido feito com o intuito de estimular os estudantes da área de tecnologia do campus, e do IFCE como um todo, a se dedicarem aos estudos e à busca constante por atualização. “Em um dos momentos do trabalho, consegui hackear a Nasa pelo telefone celular”, conta, com a intenção de deixar claro que o universo da tecnologia e do conhecimento está mais acessível do que imaginamos.

A curiosidade sempre esteve presente na vida de George Luiz e pode ter sido a propulsão de todo o conhecimento colecionado. “Desde criança, fui curioso, quebrei até uma TV do meu pai só pra ver o que tinha dentro, além de mexer em jogos de videogame”, lembra. Já adulto e “com responsabilidades”, ingressou no IFCE, onde está desde 2011. “Aí veio a pandemia e, a convite de antigos amigos, que gostavam dessa temática de informática e segurança, realizamos alguns trabalhos na área”, acrescenta.

Hacker do Bem

Após finalizar trabalhos com o grupo, decidiu se inscrever na iniciativa “Hackers do Bem”, que formava hackers em nível básico para utilização positiva do conhecimento, com direito à bolsa de estudos. “Antes de terminar o curso, consegui hackear o próprio curso (com autorização)”, conta, como símbolo de sua dedicação e habilidade. “Percebi que tinha essa aptidão e, em seguida, realizei trabalhos para grandes empresas”, relata.

Foi a partir de então que buscou se inscrever em iniciativas fora do país, referências internacionais neste segmento. Muitas das grandes corporações do mundo possuem um expediente que motiva e contrata “caçadores de falhas” a fim de identificarem problemas de segurança cibernética e terem soluções apontadas, por pessoas físicas ou por empresas especializadas, frisa George.

“Eu me inscrevi nessas empresas e me coloquei para descobrir falhas no departamento de defesa norte-americano; a gente passa nossos dados, recebe um escopo, regras, é tudo muito controlado, consegui encontrar falhas, que não podemos comentar”, explica George. “A Nasa possui contrato com uma dessas empresas. Pedi para fazer testes na Nasa, tudo foi autorizado e, ao final do trabalho, identificamos e reportamos as falhas em conversas com engenheiros e outros representantes da Nasa que nos parabenizaram por ajudar nesse ponto que eles consideraram grave”, detalha.

Luís Carlos de Freitas - Reitoria


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