sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Estudo da Uece e Cogerh aponta mudança na nascente do rio Jaguaribe

 

Quem estudou a geografia cearense aprendeu que a nascente do maior e mais importante rio do Estado, o Jaguaribe, é na serra da Joaninha, em Tauá, na região dos Inhamuns. A informação, que está nos livros didáticos, terá que ser modificada.

Pesquisa realizada pelo Laboratório de Cartografia Digital e Geotecnologia (LCDG) da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e por técnicos da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) aponta o morro da Lagoa Seca, na Serra das Pipocas, como o local onde nasce o rio Jaguaribe.

A nascente do Jaguaribe fica entre os limites dos municípios de Tauá, Pedra Branca e Independência. Dessa forma, a extensão real do rio é ainda maior, 680 km. Nos livros e nos mapas estão assinalados 652km.

O estudo técnico “Expedição científica ao alto curso do Rio Jaguaribe (Ceará): identificação da nascente do possível maior rio temporário do mundo” foi publicado na última edição do Caderno de Geografia, editado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC)de Minas Gerais.

Os técnicos utilizaram equipamentos modernos, GPS e drones para identificar a verdadeira nascente do rio Jaguaribe. “Com essa nova expedição, identificamos que a nascente fica no Riacho Carrapateiras, na Serra da Lagoa Seca, município de Pedra Branca, aproximadamente no serrote do morro, em uma área maior chamada de Serra das Pipocas”, explica o professor da Uece, membro do LCDG e integrante da expedição, João Silvio Dantas de Morais.

Para o pesquisador, Dantas de Morais, “o trabalho muda todo o histórico geográfico da nascente do Jaguaribe”. O professor esclarece que “a nascente é o local onde a água subterrânea atinge a superfície, dando origem a um rio, a um curso de água” e reforça o ensinamento afirmando que “o que determina uma nascente de um rio é justamente a nascente mais distante de sua foz, e no caso do Jaguaribe é o Oceano Atlântico, na região do município de Fortim, litoral Leste do Ceará”.

Definir a nascente principal de um rio é importante por questão de precisão geográfica, registro histórico e aspecto econômico. A bacia do Jaguaribe, que é dividida em alta, médio e baixa, ocupa mais de 50% do território cearense, abrangendo mais de 80 municípios. O curso de água do chamado ‘Rio das Onças’ é barrado pelos dois maiores reservatórios do Ceará, o Castanhão e o Orós.

A pesquisa se estende desde 2019 e os pesquisadores fizeram duas visitas à cidade de Tauá, percorrendo trechos da Serra da Joaninha e o vale dos rios Trici e Carrapateiras, afluentes do Jaguaribe.

Riachos e fazendas foram também visitados, em busca de uma definição mais precisa da origem do curso d’água, com auxílio de pesquisa documental, bibliográfica, entrevistas informais com moradores da região, além de levantamento técnico geodésico e topográfico com utilização de drones.

Marco

Em novembro de 2017, o Diário do Nordeste publicou com exclusividade matéria em que revela estudo feito pelo escritório regional da Cogerh, em Iguatu, sobre a localização da nascente do rio Jaguaribe, que poderia ser alterada.

Historicamente, a Serra da Joaninha, em Tauá, seria a nascente do Jaguaribe, a partir do Rio Trici. O Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apresentam cartografia das décadas de 1970 e 1980, corroborando com a tradição geográfica.

No município de Tauá, no alto sertão cearense, há um marco zero, instalado a cerca de 5Km da sede urbana, no encontro dos rios Trici e Carrapateiras, como indicativo da nascente do Jaguaribe. “Acredito que a origem é em outras regiões, mais elevadas, e não nesse ponto, que é mais um atrativo turístico”, observou Anatarino Torres, chefe do escritório regional da Cogerh. “Não queremos polemizar, mas contribuir para uma definição mais precisa da nascente do Jaguaribe”.

Fonte: Diário do Nordeste


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