terça-feira, 4 de abril de 2017

Fazer pipoca e outros trabalhos que prejudicam seriamente a saúde


Trabalhar no processo de produção das pipocas industrializadas, aquelas que devoramos com tanto gosto no cinema ou no sofá de casa diante de um filme qualquer, acarreta um grave risco à saúde. Tanto é que essa profissão foi incluída numa recente revisão, publicada pela revista científica The Lancet, sobre novas vias de exposição a elementos que geram doenças pulmonares vinculadas ao trabalho. Também os empregados que trabalham nos processos de fracking (uma técnica de exploração de gás e petróleo também conhecida como fraturamento hídrico) ou fabricando telas de cristal líquido correm o risco de sofrer de doenças respiratórias.

Mais de 10 centros de pesquisas de vários países participaram dessa revisão científica focada nas doenças respiratórias de causa ocupacional. Dois milhões de trabalhadores morrem por ano devido a acidentes ou doenças no âmbito profissional. A terceira doença mais recorrente é de caráter respiratório.

Antes de ter início o cerimonioso ritual de comer um balde de pipocas em frente ao filme da vez, o petisco passa por um processamento industrial para lhe dar um sabor específico e facilitar sua conservação. Nesse processo, algumas fábricas empregam um condimento, o diacetil, para conferir um sabor mais amanteigado às pipocas. Para quem come, esse aditivo não acarreta nenhum risco à saúde, mas no ambiente industrial, onde é aplicado a altas temperaturas, “o diacetil se evapora, é inalado e pode afetar os brônquios”.Também foram detectados casos similares em fábricas que produzem uma mistura seca de panificação e em fábricas de chocolates, batatas fritas e bolachas.
Mas a questão dos operários das fábricas de pipocas não é o único caso novo exposto pelos pneumologistas nesta revisão. A política técnica do fracking, que consiste em aflorar gás e petróleo do subsolo após destruir a rocha-mãe com o uso de água e produtos químicos a alta pressão, também está causando doenças em alguns trabalhadores. 

Desbotar tecidos para fabricar jeans também é outra prática mais arriscada do que parece. Os especialistas afirmam que algumas fábricas usam um jato de areia que deixa partículas voláteis inaláveis. Foram identificados casos de silicose severa e deterioração na função pulmonar com exposições breves a estas partículas.

Na fabricação de telas de cristal líquido, usadas em inúmeros aparelhos eletrônicos, os trabalhadores estão expostos ao óxido de índio, um componente que foi associado pela primeira vez a um caso de doença pulmonar intersticial (quando o tecido pulmonar se inflama e é danificado). “Também a produção do mármore artificial, um sucedâneo do mármore, leva sílica. Isso é perigoso para o trabalhador quando o molda, mas não para o usuário que depois o tiver na sua casa”.

Os pesquisadores também avaliaram o impacto sanitário de velhos conhecidos, como o amianto, um material usado durante boa parte do século XX como material de construção para cobrir edifícios e montar tubulações e telhados. 

O pneumologista afirma que essa revisão precisa servir para “colocar o problema sobre a mesa”. “É para que fiquemos todos ligados. Cerca de 500.000 pessoas morrem no mundo por doença pulmonar contraída no trabalho. Não se pode baixar a guarda, especialmente os médicos, porque, como há poucos casos, custa relacionar que uma doença surja por causa de algum elemento vinculado ao trabalho. E se complica muito mais quando são agentes desconhecidos, que não vinculamos a essa doença”, afirma o médico.

Fonte:www.msn.com