quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Padre envia carta ao presidente da CNBB sobre a visita de bispos ao presidente Temer


O Padre Maurizio Cremaschi,que atuou durante décadas na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em Tauá e ainda atua na Diocese de Crateús,enviou uma carta ao Núncio e ao presidente da CNBB,tratando sobre o encontro de dois cardeais com o presidente Michel Temer.Segundo as informações divulgadas pela imprensa Nacional,o cardeal dom Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio, e o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo acompanhados de mais uma dúzia de integrantes da cúpula da Igreja no Brasil foram a Brasília na manhã da última  segunda feira (10) onde tiveram um encontro com Temer. Foram ao Palácio do Alvorada manifestar seu apoio à PEC 241 e ainda fizeram uma oração.O fato desagradou o Padre que resolveu escrever uma carta,confira:

CARTA AO NUNCIO E AO PRESIDENTE DA CNBB SOBRE A ORACAO DOS DOIS CARDEAIS COM TEMER
Querido Dom Giovanni d´Aniello,
Sou Maurizio Cremaschi, padre fidei donum da diocese de Bergamo - Italia, atuando desde 1979 na diocese de Crateús no Ceará.

Escrevo diante das atitudes dos Cardeais Scherer e Orani que, pelas informações da imprensa, foram solenemente visitar no Palácio da Presidência o Sr. Temer, onde fizeram oração, na hora da votação da PEC. Respeito as opiniões políticas pessoais de Scherer e Orani , com as quais, como muitos brasileiros e muitos cristãos, não posso comungar). O que não é possível aceitar é a utilização de uma função que, apesar não ser "sacramental", concede um lugar de destaque na Igreja Católica Brasileira e, sendo que o título de Cardeal é atribuído pelo Papa, as atitudes dos Cardeis comprometem, além da CNBB e a Igreja do Brasil, a mesma Santa Sé. A ação de baixa politicagem dos 2 Cardeais deve ser publicamente reprovada sendo que foi publicamente praticada. A utilização da oração neste ato que nada tem de atitude pastoral e profética, é uma forma blasfema nomeando o nome de Deus em vão. Nisso os Cardeais Scherer e Orani juntam seus nomes à longa lista dos deputados que utilizam o santo nome de Deus para justificar suas escolhas políticas que nada tem a ver com a fé em Jesus que foi condenado, torturado e executado pelas autoridades do mundo.
Esse fato deve fazer refletir sobre o jeito de escolher os bispos que, no Brasil, depois do período do Vaticano II, contribuiu muito a desfigurar completamente o rosto da Igreja do Brasil.
Tenho consciência que o espírito da profecia não não é atributo especifico de bispos, cardeais ou núncios, mas o povo das igrejas do Brasil merece bom pastores.
Que o Deus de Jesus crucificado e ressuscitado envie sobre nós seu Espírito e sempre o saibamos acolher em atitude de conversão e misericórdia.
P., Maurizio