quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Sertão dos Inhamuns é cenário de romance da cearense Kah Dantas

 

Era uma noite bonita e lúbrica, lembra Kah Dantas. Chovia em Fortaleza e, enquanto a escritora fumava, ocorreu-lhe um enredo protagonizado por uma mulher sendo tomada por um homem no meio ermo do sertão, num reencontro adúltero e com ares de tragédia. Desse primeiro vislumbre surgiu um conto e, com ele, perguntas a serem alimentadas urgentemente.

“Elas fizeram essa narrativa crescer”, explica a cearense, em entrevista ao Verso. “Isso foi quando eu viajei para Tauá, a principal cidade dos Inhamuns, para encontrar as respostas. Eu as achei, o conto virou prelúdio e o romance se estruturou e nasceu”. Nesta terça-feira (10), mais uma etapa desse processo se concretizou. Foi quando “Inhamuns”, novo livro de Kah, passou a ser enviado às casas dos primeiros leitores e leitoras, que adquiriram o livro na pré-venda.

Publicado pela editora Moinhos, o romance é resultado de longos enamoramentos da autora com a região do Ceará na qual a trama é ambientada – distante 337 quilômetros da Capital. Durante muito tempo, o Sertão dos Inhamuns povoou o imaginário de Dantas. No posto de escritora, ela sentiu o desejo de desenvolver alguma história sediada nesse cenário, um lugar que sempre lhe pareceu mágico desde que leu o nome da localidade pela primeira vez, estampado numa linha de ônibus intermunicipal cearense.

Dito e feito. No início de 2019, as linhas começaram a ser escritas e, pouco mais de um ano depois, Kah estava terminando a conclusão da versão que já seria a definitiva. Nesse movimento, ela conta que as circunstâncias pandêmicas demoraram um pouco para dar cabo de sua alegria.

Em síntese, “Inhamuns” conta a história de uma jornalista residente em Porto Alegre (RS), convocada a viajar a trabalho à sua terra natal – a região cearense do título – de onde ela partiu fugitiva e, portanto, sem nenhuma perspectiva de retorno. De volta a esse solo permeado por memórias adormecidas, a protagonista vivenciará uma teia de prazeres e dissabores, enrodilhada em mistérios e reencontros geradores de complexos panoramas.

Na visão de Kah Dantas, este é um romance que, acima de tudo, apresenta ao público a impossibilidade de restar incólume por meio e depois de um processo de autoconhecimento.

A matéria faz parte da coluna Verso do Jornal Diário do Nordeste. Veja a postagem completa.


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