Uma operação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) apura no Ceará e na Paraíba supostos desvios de mais de R$ 1 bilhão em recursos federais que seriam destinados à saúde, que aconteceram em um período de 18 anos. A força-tarefa, deflagrada nesta quinta-feira (8), mirou uma organização criminosa que também teria praticado crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e fraude documental.
A Operação Coaptação desvendou um esquema que utilizaria empresas de fachada e documentos falsos para desviar recursos de contratos públicos de entidades que atuavam na área da saúde. A principal empresa apontada na força-tarefa seria responsável sozinha por receber, entre 2007 e 2025, R$ 1 bilhão.
A ação teve cinco mandados de prisão preventiva, 24 de busca e apreensão e 2 de sequestro para apreensão de veículos.
Houve cumprimento de mandados da operação federal nas cidades de: Fortaleza, Caucaia, Eusébio e Tauá, no Ceará, e Campina Grande, na Paraíba.
A Justiça Federal, por meio da 32ª Vara, determinou o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos, incluindo carros de luxo, supostamente ligados aos investigados, além de pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas relacionadas.
Segundo a corporação, "as medidas patrimoniais têm como finalidade assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos e evitar a dissipação de ativos supostamente adquiridos com recursos de origem ilícita".
De Ferrari McLaren, avaliada em R$ 3 milhões, a relógios Rolex e Patek Philippe, a Polícia Federal apreendeu dezenas de bens de luxo dos suspeitos.
Conforme apuração do G1, todos os presos são pessoas relacionadas à Cooperativa de Atendimento Pré & Hospital (Coaph), com sede em Fortaleza. Entre eles estão o ex-presidente da cooperativa e atual tesoureiro, o médico José Newton Lacerda Carneiro. O atual presidente, o médico Montezuma Feitosa Alexandrino, foi alvo de um mandado de busca e apreensão.
Por meio de nota, a Coaph destacou que a operação não se restringiu à cooperativa, "abrangendo também outras empresas do setor da saúde que mantêm contratos com o poder público". A Cooperativa disse ainda que é necessário investigar, mas que também é necessário "preservar uma instituição que presta serviços essenciais à saúde".
Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está a revendedora de veículos Drive Car, de Fortaleza, que seria usada para lavagem de dinheiro do esquema. Lá, os agentes apreenderam veículos de luxo, como uma McLaren Artura, cujo valor pode chegar a R$ 3 milhões; e um Chevrolet Corvette, que pode chegar a R$ 1 milhão.
A TV Verdes Mares procurou a Drive Car para comentar a operação, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
Vários outros veículos, com valores entre R$ 100 e R$ 600 mil, também foram apreendidos da empresa revendedora de veículos.
Na casa do atual presidente da cooperativa Coaph, Montezuma Feitosa, em um condomínio de luxo no município de Aquiraz, a polícia apreendeu vários relógios de luxo. Um deles, da marca Patek Philippe, é avaliado em cerca de R$ 3 milhões. A Polícia Federal ainda irá checar se o relógio é original da marca.
Conforme a Polícia Federal, os envolvidos no esquema usavam empresas de fachada e documentos falsos para fechar contratos no setor de saúde com os municípios e desviar parte dos recursos, que tinham origem federal.
No centro do esquema estaria a Coaph, cooperativa que possui vários contratos com prefeituras do Ceará. A Coaph, por seu estatuto de cooperativa, não poderia ter lucro. Por isso, os envolvidos forjavam empresas de fachada, que fechavam os contratos com os municípios e emitiam as notas fiscais, mesmo sem capacidade de prestar os serviços para os quais foram contratadas.
Segundo apuração do g1, as investigações começaram após a prisão de um contador da Coaph, nas eleições de 2024, com uma elevada quantia em dinheiro. A partir disso, foram identificadas movimentações financeiras suspeitas envolvendo saques de dinheiro em valores elevados.
Confira a nota da Coaph na íntegra.
"Diante das notícias divulgadas nesta quinta-feira (8), sobre a operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), a COAPH vem a público prestar esclarecimentos.
A operação não se restringe à COAPH, abrangendo também outras empresas do setor da saúde que mantêm contratos com o poder público.
É importante lembrar que, em 2022, a cooperativa passou por fiscalização semelhante, posteriormente arquivada pelas autoridades competentes. Na ocasião, o procedimento foi encerrado sem que fossem identificados elementos que justificassem seu prosseguimento.
A COAPH respeita o trabalho das autoridades e defende a rigorosa apuração dos fatos, observando-se o devido processo legal e a presunção de inocência. Investigar é necessário. Preservar uma instituição que presta serviços essenciais à saúde também é uma questão de responsabilidade.
A prioridade da COAPH permanece sendo a segurança dos pacientes, a continuidade dos serviços de saúde e a responsabilidade com os colaboradores, cooperados e contratantes. Reforçamos que a instituição segue pautada pela legalidade, pela transparência e pela ética em todas as suas atividades.
Novas informações institucionais serão divulgadas pelos canais oficiais, evitando que fatos sejam confirmados e juridicamente passíveis de divulgação."
Notícia atualizada com fontes: Diário do Nordeste e g1, além da TV Verdes Mares.
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