segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Traduzindo o texto em cearensês


Se você não entendeu nada no textinho cheio de palavras do linguajar cearense, o Tribuna do Ceará trata de traduzi-lo.

É bem possível que você já tenha lido este texto que está pulando de celular em celular. Se não leu, pode esperar, já já ele aparece no seu smartphone. É um textinho curto, cheio de palavras comuns no Ceará – e ininteligíveis para quem é de outros estados. Pois o Tribuna do Ceará trata de traduzi-lo pra você que não entendeu o leriado.

Em português:
Chico, homem desordeiro e teimoso, bêbado depois de consumir três garrafas de cachaça, caminhava com dificuldade, circundando uma árvore, quando topou e machucou a ponta do dedo do pé.
“M****!”
Vai, seu bêbado! Tirou sarro o colega de mesmo nível que o acompanhava.
“Vai à m****!”, disse Chico.
Chico estava desestruturado desde anteontem, quando sua namorada lá de longe o trocou por um rapaz altão e rico da Aldeota (bairro nobre de Fortaleza).
“É o que dá se envolver com mulher de baixo nível”, pensava ele. “Fui traído. Mas sem problema, ela andava desleixada e fedorenta. Dá até enjoo de lembrar”.
Ao chegar em casa, Chico se revoltou e jogou no lixo os pertences da mulher: sandália de couro, uma tiara laranja e algumas plantas que ela havia levado quando ambos iniciaram uma união estável.
Depois, encheu a pança de sarrabulho (guisado com miúdos do porco e cabrito) e baião-de-dois (prato de arroz com feijão, de preferência verde, às vezes com queijo coalho), e foi dormir pensando no episódio.

Em cearensês:
Chico, cabra errado e bonequeiro, já melado, depois de traçar um celular e duas meiotas, vinha penso, cambaleando, arrodiando o pé-de-pau, quando deu uma topada que arrancou o chaboque do dedo.
– Diabeísso!
Vai, cú-de-cana! mangou a mundiça que tava junto.
– Aí dento! – disse Chico
Chico estava ariado desde ontonti, quando o gato-réi que ele acunhava lá na baxa da égua, bateu fofo com ele pra ir engabelar um galalau estribado da Aldeota.
– É o que dá pelejar com canelau, catiroba, fulerage – pensava ele – ganhei um chapéu de touro, mas não tem Zé não, aquela marmota tá mesmo só os queixo e a catinga. Dá é gastura.
Chegando em casa se empriquitou de vez e rebolou no mato todas catrevage da letreca: uma alpercata, um gigolete amarelo queimado e uns pé de planta que ela tinha trazido inquanto iam se amancebar. Depois se empanzinou de sarrabui e de baião e foi dormir pensando nas comédias.

Fonte:Tribuna do Ceará