terça-feira, 25 de outubro de 2016

Seca castiga moradores de municípios nos Inhamuns


Um cenário cinzento da caatinga sob o sol escaldante do sertão. Esse, portanto, é retrato da região dos Inhamuns, considerada uma das regiões mais secas do Estado do Ceará. Na maioria dos municípios, muitos animais já morreram devido a falta de água e pastagens, proprietários se submeteram a vender seus rebanhos e a população sofre com o calor e a dificuldade de conseguir água potável, submetidos ao precário abastecimento com carros pipas. Esse é o drama dos sertanejos, que ainda sofrem com as previsões de mais um ano de seca.
O presidente da Federação das Associações Comunitárias do município de Aiuaba, Manoel Araújo, afirmou nunca ter visto uma seca tão grande quanto da atualidade. Ele relata que, na zona rural, a situação é ainda mais grave, porque a maioria dos reservatórios estão completamente secos. principalmente no distrito de Bom Nome, que fica na divisa com o Estado do Piauí. Lá, de acordo com Manoel, a população tá tendo que comprar água para sobreviver, e o cenário em volta é de “angústia e desespero”.
Segundo ele, a água que chega à comunidade é por meio da operação carro-pipa, oriunda do açude Benguê, distante 70 km do distrito. O açude, inclusive, é ainda o único reservatório que dispõe de água para atender a demanda populacional do município, embora sua capacidade e qualidade esteja comprometida.
“Nossa estimativa é que, aproximadamente, seis mil pessoas estejam passando sede no município de Aiuaba. Uma das alternativas é os agricultores cavarem cacimbas, buscando na Prefeitura o auxílio das máquinas do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], que nem sempre está disponível por causa da grande demanda, e, assim, às vezes, o esforço é em vão, porque cava-se o solo e muitas vezes não se encontra água”, afirmou o presidente da Federação. De acordo com ele, além do Distrito Bom Nome, as comunidades Assentamento da Lindreza e Barra Verde estão também muito afetadas pela seca, apesar do número de carros-pipas que estão fazendo o trabalho de distribuição de água.
A aposentada Francisca Maria de Castro considera alarmante a situação no município, pois devido a qualidade da água aumentou os problemas de saúde, como o aumento dos casos de diarréia, entre outros, que tem gerado um acréscimo significativo nos atendimentos ambulatoriais e hospitalares.
O trabalhador rural Pedro Rodrigues Feitosa, residente no distrito de Barra Verde, disse que a população tem vivenciado uma “calamidade”. “Nem água estamos tendo para beber. Mesmo com o calor, só estamos tomando banho uma vez por dia, porque temos que racionar a pouca água que estamos recebendo dos carros pipas”, frisou ele, acrescentando que algumas pessoas migrado para outras cidades, buscando água suficiente para as necessidades básicas.
Francisco Cândido de Oliveira, residente no distrito de Planalto na zona rural de Arneiroz, também confirmou o racionamento feito pela população. “O dinheiro do Bolsa-Família só tá dando para comprar água. Estamos desorientados, sem saber o que fazer, pois água, o que será de nós, e dos animais? Ninguém e nada sobrevive sem água, e se formos ter mesmo, como dizem, mais um ano de seca, o que será do sertanejo? Estamos rezando dia e noite, porque não podemos perder a fé que nos resta. Se Deus não tiver complacência de nossa situação a tendência é piorar mais ainda. É de cortar o coração você ver um animal morrer de sede e a gente não poder fazer nada. Eu já estou tendo um imenso prejuízo com a morte de meus animais, acho que se eu for calcular hoje chega a mais 7 mil reais”, lamentou o agricultor.
Diária
Francisco Marlon Nogueira de Mendonça, residente no Sítio Serra Pelada, afirmou que a seca é uma “preocupação diária de todos os trabalhadores rurais”. “Em nosso lugar, os açudes e os pequenos barreiros já secaram. No lugar, só há uma lama grossa, e não há mais a menor possibilidade de consumir essa água”, frisou ele, cobrando providências do Governo Federal.
Em Catarina, a situação se repete. O secretário adjunto de Agricultura do Município, Francisco Elkison Soares, disse que a Prefeitura vem investindo na contratação de mais carros-pipas, e na escavação de cacimbas, o que, segundo ele, não está sendo suficiente, porque a demanda só aumenta e a maior parte dos reservatórios já secaram.
Elkison afirmou que, hoje, nas localidades Figueredo, São Gonçalo, Manto, além de outras regiões, levantamento realizados nas comunidades, realizado pela Secretaria de Agricultura, praticamente 50% de toda a zona rural do município está passando sede, e a água distribuída pelos carros pipas, só minimiza a sede, pois são distribuídos apenas vinte litros por pessoa, e, consequentemente, os animais acabam morrendo. “Há comunidades, aqui em Catarina, que não sobrou água nos açudes nem para passarinho beber. Inclusive, podem ser vistos carcaças de animais mortos na maioria das propriedades rurais e nas estradas vicinais que cortam o município”, disse ele, acrescentando que, se não chover até janeiro, o município entrará em colapso. (Colaborou Amaury Alencar).
Fonte:http://www.oestadoce.com.br/