quarta-feira, 15 de julho de 2015

POLICIA NÃO CONFIRMA CASOS DE RAPTOS DE CRIANÇAS


“Essa é a cara dos bandidos que estão sequestrando e matando nossas crianças pra traficar os órgãos”, diz o texto da mensagem amplamente compartilhada nas redes sociais, nos últimos meses, em Fortaleza. Mas ela não é a única. Há também o suposto casal vindo de Manaus, os dois homens em um Fiat preto, os dois jovens em uma motocicleta, a Kombi do Castelão e a criança levada do interior de uma loja. São várias as denúncias que circulam alertando para o risco de rapto de crianças na Capital. Entretanto, não há registro de ações do tipo confirmadas em 2015. 
De acordo com a titular da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), Ivana Timbó, foram registrados três Boletins de Ocorrência (B.Os) por tentativa de rapto na Capital, recentemente. Os documentos foram lavrados nas delegacias distritais dos bairros Parangaba, Conjunto Ceará e Pan Americano. Todos envolviam crianças de colo. Entretanto, ela informou que nenhum dos casos continha elementos suficientes para dar início a uma investigação.
“As ocorrências não tinham base. E é isso que nos causa estranheza, já que os suspeitos se expuseram, em todos os casos, mas não concluíram seus objetivos. Porque não é um crime de difícil execução. Não podemos fazer juízo de valor, mas isso é estranho. Chegamos a pedir que essas mães nos procurassem, para que pudéssemos averiguar as denúncias, mas ninguém apareceu”, disse Ivana.

A delegada contou que, há três meses, denúncia recebida pela Dececa informava que uma criança havia sido levada dentro de um carro, durante um assalto à residência, no Antônio Bezerra. Entretanto, após se deslocarem até o local, os policiais descobriram que se tratava apenas de um boato. Denúncias do tipo também foram recebidas pelo O POVO e negadas pela Polícia.
Boataria é crime
Apesar dos casos não terem sido confirmados ou concretizados, a delegada destacou que a Polícia está atenta às informações compartilhadas nas redes e costuma apurá-las preliminarmente. “Não estamos alheios ao assunto”. Na maioria das vezes, as mensagens vêm acompanhadas de fotos dos supostos sequestradores e, até mesmo, das vítimas. Sobre essa situação, Ivana informou que, além de prestar um desserviço à sociedade, as pessoas que encaminham as denúncias sem confirmação, mesmo que seja com o viés da prevenção, podem responder por crimes contra a administração da Justiça.

“O ideal é que, independentemente desses casos estarem acontecendo ou não, o cuidado com crianças seja permanente. Elas devem estar sempre supervisionadas por, pelo menos, um adulto”, indicou.
Fonte:O Povo