sexta-feira, 24 de julho de 2015

MUNICÍPIO DA REGIÃO TEM CASOS DE GRAVE DOENÇA

O carpinteiro José Magno Silva, 25, se viu em menos de 15 dias em uma cadeira de rodas, com paralisia das pernas. Já a agricultora Gonçala Rodrigues ainda não se recuperou da perda do marido, há menos de um mês. Os dois casos são do municípios de Novo Oriente, na Região dos Inhamuns, a 397 Km de Fortaleza, e têm em comum sintomas da doença que vem assolando o Nordeste: a Síndrome de Guillain-Baré.

Embora ainda não confirmados pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) e Ministério da Saúde, documentos - uma certidão de óbito e um laudo médico do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) - demonstram que a doença chegou ao Ceará. Além disso, especialistas afirmam que a enfermidade pode estar ligada ao zika vírus.

José Magno conta que tudo começou com um cansaço inexplicável, depois dormências nos dedos dos pés que foram se alastrando pelas pernas. \"De repente, não podia mais andar. Fiquei desesperado. Isso já tinha 15 dias e então fui para o hospital da cidade (o José Maria Fernandes Leitão), fiz exames e encaminhado ao HGF. Ali, tive uma das piores notícias de minha vida: estava com essa doença maldita, sem andar e saber como seria dali por diante\", narra. Ele está fazendo fisioterapia há quatro meses e continua assustado. A assessoria de imprensa do HGF avisa que o paciente foi atendido no dia 9 de abril. \"Ele realizou exames de sangue, urina e raio-X. Na ficha de atendimento a discriminação da doença consta Déficit Neurológico Agudo, com hipótese de síndrome de Guillain-Barré, que ainda precisa de confirmação\", diz a nota.

Enquanto isso, Gonçala ainda chora a morte repentina do marido. Ela conta, a exemplo de Magno, que tudo foi de repente, no dia 8 de junho deste ano. \"A gente estava no roçado, cuidando da plantação de feijão e ele (Amadeu) começou a dizer que estava sem forças, um cansaço grande que não o deixava mais trabalhar. Não conseguiu nem voltar para casa de bicicleta, como sempre fazia. Quando chegou, foi para o fundo de uma rede e não se levantou mais\", relata.

Hospital
Amadeu não voltou mais para a roça. Depois de dois dias, o cunhado o levou para o hospital, fez exames em Cratéus e, no dia 14, encaminhado à Santa Casa de Sobral, onde faleceu no dia 26 de junho passado. \"O futuro? Moça, nem me fale disso. Sinceramente, não sei o que será de nós, mas é preciso seguir em frente e seja o que Deus quiser\", comenta Gonçala.

Também em nota da assessoria de comunicação, a Sesa afirma que o \"sistema de informações do Núcleo de Epidemiologia da Secretaria da Saúde do Estado não registra o óbito citado\". Em 2015 foram dez casos do zika vírus até o mês de abril nos cinco hospitais que compõem a rede dos Núcleos Hospitalares de Epidemiologia.

O infectologista Anastácio Queiroz diz não se surpreender com o avanço da doença e sua chegada ao Ceará. \"Apesar de o Ministério da Saúde ainda não confirmar, esses casos estão relacionados ao zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. É uma síndrome paralisante, que vai na maioria dos casos até o quadril e nos mais graves até o pescoço, o que faz o paciente precisar ser entubado\". Ele revela que tem contato com médicos da Bahia, atualmente com mais de 50 confirmações da doença, e eles reafirmam a relação da Guillain-Baré com o zika vírus.

O Ministério da Saúde esclarece que a síndrome de Guillain-Barré (SGB) pode surgir após infecções por vários tipos de vírus ou bactérias. Trata-se de manifestação autoimune rara que tem como principais características fraqueza muscular e paralisia dos músculos. Vale esclarecer que a doença não é de notificação compulsória, então não há registro do número de casos.

Até maio deste ano, foram 30.972 procedimentos ambulatoriais e hospitalares no SUS em decorrência de Guillain-Barré no País. Em 2014, foram 65.884.

Mais informações

Secretaria da Saúde do

Estado do Ceará (Sesa)

Av. Almirante Barroso, 600, Praia de Iracema, Fortaleza, Ceará

(85) 3101.5123

http://www.saude.ce.gov.br/
Lêda Gonçalves

Repórter
Fonte: Diário do Nordeste