segunda-feira, 4 de maio de 2015

INVENTOR TAUAENSE RECEBE INCENTIVO PARA AMPLIAR PROJETO


Um quadriciclo agrícola desenvolvido pelo inventor cearense Geraldo de Sousa Mota promete melhorar a vida no campo. Voltado para a agricultura familiar, o equipamento é uma alternativa econômica e ecológica para o pequeno agricultor que quer automatizar sua produção. Através de um incentivo de R$ 484.126,76 do programa Tecnova, da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), o inventor pode investir na avaliação técnica, aprimoramento e confecção de manual técnico do Quadriciclo Agrícola Geragri para distribuição em maior escala.

A ideia surgiu ainda na infância, quando Geraldo iniciou o pesado trabalho no campo, aos sete anos, ao lado do pai e dos irmãos, em Tauá. "Na época, o único meio de vida era a roça. Tinha 13 irmãos e todo mundo ia, não importava a idade. Saíamos às 3 horas da manhã para preparar o terreno. Um dia, vi passar um trator de esteira e imaginei como a nossa vida seria mais fácil se pudéssemos ter um equipamento como aquele", relembra Geraldo.

Em 2008, Geraldo finalmente tornou o sonho da criança realidade para várias famílias e criou um triciclo a partir de um motor de moto. A invenção deu tão certo que o atual presidente da Ematerce, Antônio Rodrigues de Amorim, à época secretário adjunto de Agricultura do Ceará, adotou o projeto e ajudou o jovem inventor a conseguir recursos para melhorar o invento.

O quadriciclo Geragri susbtitui o trator convencional ajudando o agricultor na preparação da terra para o plantio. "A escassez de mão de obra no campo é hoje uma realidade. Nosso quadriciclo limpa, faz o arado, mistura a terra, faz o sulco e planta, tudo que um trator faz mas a um preço acessível. Um trator convencional dos mais simples custa em torno de R$ 95 mil,  enquanto o nosso quadriciclo custa R$ 17 mil", explica Marinete Moura Mota, sócia da empresa e coordenadora do projeto.

Com uma mecânica simples e uma manutenção barata, o quadriciclo Geragri é equipado com plantadeira, roçadeira e sulcador multifuncional, que escarifica e ara a terra e é indicado para grandes e pequenas culturas como cana, batata, banana, cacau, mamão, milho e mamona. O equipamento pesa cerca de meia tonelada e consome apenas três litros de óleo diesel para limpar um hectare (10 mil m²) e um litro para plantar um hectare.

Com 21 quadriciclos fabricados e distribuídos no Rio de Janeiro, Bahia e no Ceará, a empresa já recebeu encomendas até da Inglaterra mas o modo de fabricação artesanal estava se tornando um empecilho para a comercialização em maior escala. "Há muito tempo estamos tentando deixar o quadriciclo pronto para comercialização. Apesar do valor reduzido, ainda é um investimento alto para a maioria dos agricultores, por isso, é fundamental estar dentro das normas técnicas para estar apto a ser financiado pelos bancos. Com os recursos do Tecnova, estamos estruturando o processo de fabricação e até julho dois kits com quadriciclo e implementos serão testados na Universidade Federal do Ceará para avaliação de velocidade, força, peso, etc. para então colocar no mercado. Se não fosse o Tecnova jamais conseguiríamos alavancar essa ideia que é de grande importância para a região e até pra o mundo".

O secretário adjunto da Secitece, Francisco Carvalho, que também coordena o Tecnova, ressalta "a importância do projeto no desenvolvimento de produtos inovadores e no incremento da competitividade das empresas e economia do Ceará".

TECNOVA - Em sua primeira etapa, o Tecnova Cearense contou com recursos da ordem de R$ 15.593.075,36 oriundos da Finep e do Governo Estadual (FIT), sendo R$ 13.500.000,00 para apoio às empresas e o restante para a gestão do projeto. Foram submetidos 168 projetos e 60 empresas foram recomendadas para desenvolvimento de seus projetos inovadores com demanda de R$ 27.490.957,60.

Foram liberados mais R$ 3.381.030,00 para aporte voluntário ao programa em 2015. Com esse recurso, sete novas empresas serão atendidas, totalizando 35 empresas beneficiadas nos setores de Agronegócio, Eletrometalmecânica e Materiais, Petróleo e Gás, Têxtil e Confecção, além de Couro e Calçado, Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Biotecnologia.

O Tecnova Ceará conta com a parceria da Fundação de Apoio a Serviços, Ensino e Fomento a Pesquisas (Fundação Astef), da Rede de Incubadoras do Ceará (RIC) e da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).